sexta-feira, 22 de junho de 2012

Falhas que podem atrapalhar o diálogo

Muita coisa pode atrapalhar a caminhada ecumênica. Temos hábitos arraigados e muitas vezes nem notamos que estamos alimentando a discórdia em vez de construir a paz. Teríamos que prestar mais atenção às armadilhas que muitas vezes armamos até sem perceber.  Vamos destacar aqui alguns campos onde nossas falhas costumam criar obstáculos a um diálogo mais construtivo:

a)      A linguagem: até sem perceber, podemos usar expressões que denotam uma rejeição. E não falamos só com palavras, temos também a linguagem corporal e facial. Brincadeiras podem ser ofensivas de um modo muito desastroso. Também é comum termos “dois pesos e duas medidas”, que se revelam nas palavras que usamos. Diante da mesma situação, por exemplo, temos uma tendência a chamar outros de “fanáticos” enquanto consideramos a nós mesmos “fiéis”. Um bom jeito de evitar falhas de linguagem é ouvir o outro, perceber como ele mesmo define a sua fé.

b)      A omissão: um jeito muito especial de expressar rejeição em relação ao outro é fazer de conta que ele não existe. Não é comum nos referirmos a outros irmãos cristãos na nossa Igreja. Falamos, por exemplo, do Batismo como se fosse coisa só nossa (embora a nossa Igreja reconheça até oficialmente a validade do batismo de muitas outras denominações cristãs).  O papa João II lembrou, na encíclica Ut Unum Sint, coisas que não costumamos mencionar:

“ Para além dos limites da Comunidade católica, não existe o vazio eclesial. Muitos elementos de grande valor, que estão integrados na Igreja Católica na plenitude dos meios de salvação e dos dons da graça que a edificam, acham-se também nas outras Comunidades cristãs.” UUS 13

c)      A preparação para a guerra: Já encontrei católicos que me pediam estudo de certos textos bíblicos “para responder aos protestantes”. É claro que os católicos devem saber como a sua Igreja lê a Bíblia. Mas ela deve ser trabalhada como instrumento de diálogo, não como arma para derrotar o outro.

d)     Nivelar sem discernimento: ser ecumênico não é ser ingênuo e aceitar tudo que vier com rótulo cristão. Há Igrejas sérias e grupos que se aproveitam da religião para enganar o povo. Sempre é importante discernir o que está ou não a serviço do projeto de Jesus, tanto nas outras Igrejas como até dentro da nossa. Mas também não se pode julgar uma Igreja pelo comportamento negativo de alguns de seus membros. Sem generalizar, sem criar clima de guerra e sem maximizar as falhas alheias de modo preconceituoso, é preciso perceber que tipos de atitudes devem ser valorizadas ou rejeitadas.

e)      Perder de vista a busca da verdade: ecumenismo não é vivido fazendo de conta que não há problemas e divergências. O que deve ser diferente é o modo de tratar essas divergências. Se há pontos em que ainda não estamos de acordo, vamos rezar, pedir luz ao Espírito Santo, buscando com honesta fraternidade soluções verdadeiras para as questões que ainda nos dividem.

Diante de tudo isso, para os catequistas, seria importante ter presente o que diz o documento Catechesi Tradendae:

É sobremaneira importante fazer uma apresentação correta e leal de outras Igrejas e comunidades eclesiais, das quais o Espírito Santo não recusa servir-se como de meios de salvação... Entre outras coisas, uma tal apresentação ajudará os católicos, por um lado, a aprofundarem sua própria fé e, por outro lado, a melhor conhecerem e estimarem os outros irmãos cristãos, facilitando assim a procura em comum do caminho para a plena unidade na verdade total.” CT 32

Therezinha Cruz

Nenhum comentário:

Postar um comentário