terça-feira, 3 de setembro de 2013

Com que roupa, eu vou???Esse assunto dá pano pra manga, porém, cada lugar tem uma realidade...

Encontrei esse texto na MINHA PASTA MAIS, escrito em 2009. Na verdade, não sei se já foi publicado aqui... Mas, vamos lá, sempre tem gente nova chegando e vale o despertar...

Muitas Paróquias ainda realizam as celebrações de Primeira Eucaristia no final do ano, de modo que já é tempo de se pensar na organização dessa grande festa, que envolve vários aspectos. Aqui na nossa Paróquia e acredito que na maioria, no que diz respeito à roupa, fazem uso da camiseta. Ao menos aqui , a mudança não ocorreu da noite para o dia, se deu devido a muitos contratempos por conta do vestuário de nossas crianças, em específico das meninas.

Meio a essa preparação, organização, a coordenação é um para-raio... Me lembro que certo ano, chegando perto da primeira Eucaristia, fui procurada por uma mãe, indignada quando soube que a filha faria sua tão esperada Primeira Eucaristia vestida com uma simples camiseta,  ela sonhara pra a filha, um lindo vestido, estava inconformada e queria de mim uma solução para o seu dilema. Expliquei a ela o por que da uniformidade e que o principal seria o sacramento que a filha receberia e tudo mais. Ela escutou, mas, inconformada  disse que procuraria uma outra Igreja, no que  a deixei livre para fazer o que achava certo.

A criança chegou a ir para outra paróquia, não se adaptou,   voltou, e nós, é claro, a acolhemos de braços abertos. A criança queria mesmo era estar com o grupo. A mãe porém, não desistiu, insistia procurando um meio para a filha usar um lindo vestido, já havia pensando até no modelo, me fez uma proposta, onde a filha na celebração faria uma procissão, levando não sei o que, não sei pra onde, pra entregar não sei pra quem...rsrsr.  E eu explicava, que ela não se sentiria bem, estando diferente do grupo. Enfim, não restando escolha, ela fez de camiseta, como todos. Mas, confesso, foi um desgaste enorme, não me sinto à vontade co situações assim, mas se existe uma organização, é preciso que exista respeito.

Era uma família linda, de classe alta, que sempre nos ajudou, mas isso não daria à filha o direito de ser diferente. Depois desse episódio,  procuro conscientizar nossos pais desde o primeiro encontro, para que  não se sintam enganados. Aqui nossa primeira Eucaristia não é realizada na Igreja e sim no salão, que não é bonito, de camiseta e calça jeans, meninas, meninos, pobres ou ricos. 

Eu, particularmente acho lindo uma túnica branca, vejo as fotos de outros lugares e me encanto, porém, nosso volume de catequizandos  é enorme, o que se torna inviável... Mas, também, não descarto a possibilidade de se pensar na possibilidade de adquirir.

Partilho com vocês,  esse material que fala sobre a “nobre simplicidade” da celebração, tirada do livro CATEQUESE e LITURGIA, duas faces do mesmo mistério da Paulus, muito bom! Vejo que veio a calhar com o assunto em questão!!

A “NOBRE SIMPLICIDADE” da celebração

Se queremos resgatar a interação tão necessária entre catequese e liturgia, um passo indispensável a ser dado é repensar o modo como as celebrações da Primeira Eucaristia acontecem.

Há celebrações simplesmente emocionantes e coerentes com a proposta de Jesus, a caminhada da Igreja e a vida das nossas comunidades. Mas, infelizmente, não é raro ver celebrações que destoam completamente dessa proposta. Muitas delas se assemelham a verdadeiros shows ou desfiles de moda, com direito a passarela, modelos de roupas das “noivinhas” ainda não foi superado em muitas comunidades e a celebração acontece à revelia do significado do próprio sacramento. Há, aí, uma contradição interna. Quantas vezes se ensina que a Eucaristia deve conduzir o cristão ao amor, á partilha, à solidariedade com os mais pobres, à humildade e à comunhão dos bens, mas na hora da celebração, as pompas indicam bem o contrário... Reforçam e acentuam a desigualdade.

A festa leva, naturalmente, a um capricho maior. Cada um quer fazer o melhor e expressar, por meio dos sinais externos (roupas, enfeites, fotos, etc), o quanto está interiormente feliz. Mas os exageros acabam por comprometer não somente a celebração, mas também a qualidade da mensagem que foi transmitida durante o processo catequético. É possível que a celebração seja solene, sem deixar de ser simples. A constituição Sacrosanctum Concilium tem uma orientação que abe muito bem aqui, ao dizer: “ As cerimônias resplandecem de nobre simplicidade, sejam transparentes por sua brevidade e evitem as repetições inúteis, sejam acomodadas á compreensão dos fiéis e, em geral, não careçam de muitas explicações” (SC 34).

A “nobre simplicidade” da liturgia está no carinho da organização, no modo como cada um desempenha seu papel na celebração, na preparação cuidadosa do ambiente, deixando aparecer somente o essencial. Está na postura respeitosa, espontânea e profundamente interiorizada de cada participante da assembléia, a começar dos próprios catequizandos. A “nobre simplicidade” está no clima de harmonia e de entendimento entre as pessoas, na acolhida aos mais pobres e simples da comunidade. Está na limpeza e beleza das modestas alfaias e nos cantos entoados por todos em “espírito e verdade”.

Quanto à questão das roupas, filmagens e fotografias, o bom senso prevaleça. O importante é que nada seja “diabólico”, isto é, nada leve à confusão ou ofusque o essencial: a experiência da comunhão com o Deus-Amor, que gera fraternidade e impede ao compromisso com a vida plena.

Na celebração da primeira Eucaristia, é muito importante que os catequizandos sintam-se, de fato, celebrantes e não meros expectadores ou, pior ainda, os atrativos da festa litúrgica. Essa participação é fruto de uma tomada de consciência do verdadeiro sentido da celebração e de um envolvimento de todos eles na sua preparação.
 

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