terça-feira, 6 de agosto de 2013

DÉCIMO OITAVO DOMINGO COMUM (04.08.13)

Lucas 12,13-21
“Tenham cuidado com qualquer tipo de ganância”
        Mais uma vez nos deparamos com um dos temas favoritos de Lucas - o combate à ganância, em todas as suas formas, especialmente dentro da comunidade dos discípulos de Jesus. A parábola de hoje só se encontra neste Evangelho, sublinhando assim o interesse de Lucas pelo assunto.
        Ressoa com todas as letras a advertência de Jesus para os seus discípulos: “Atenção! Tenham cuidado com qualquer tipo de ganância” (v. 15b). Com certeza, a caminhada de mais ou menos cinquenta anos das comunidades cristãs, até a data do escrito de Lucas, tinha mostrado que os cristãos não eram isentos da tentação da acumulação de bens, e do individualismo. Cumpre assinalar que o Evangelho não nega o valor nem a necessidade de bens materiais. Afinal, sem eles não seria possível ter uma vida digna e humana - o que Deus quer para todos os seus filhos e filhas. A luta não é contra os bens, mas contra a ganância, o egoísmo, a acumulação, a confiança no aumento dos bens como valor supremo das nossas vidas.
        Se foi importante fazer esta advertência há quase dois mil anos, quanto mais hoje, quando nós vivemos mergulhados em um mundo de consumismo e materialismo; quando se prega o “evangelho” da competitividade e acumulação; onde os profetas do projeto neo-liberal da exclusão entram todos os dias em nossos lares, através da televisão e da internet; onde a meta do sistema é concentrar cada vez mais bens nas mãos de uma elite privilegiada, excluindo, cada vez mais, pessoas que não podem competir. Até Deus e a religião se tornam bens rentáveis, com certos “pregadores do Evangelho”, auto-denominados de “Apóstolos” “Bispos” ou “Pastores” se enriquecendo escandalosamente às custas dos fiéis ingênuos e manipulados.. Como nós cristãos vivemos mergulhados neste ambiente, acontece muitas vezes que, sem dar conta do fato, nós o assimilamos, como por osmose, diluindo o evangelho da fraternidade e solidariedade, e reduzindo a prática religiosa ao âmbito individual e intimista, tirando dela a sua força transformadora.  Os pronunciamentos recentes do Papa Francisco sobre esse assunto são mais do que oportunos.
        O rico da parábola muito bem poderia representar a ideologia do sistema vigente dos nossos dias. Chama a atenção o número de vezes que ele usa as palavras “eu”, “meu” “minha” - é um homem totalmente fechado no seu mundinho, fechado sobre si, sem sensibilidade diante dos sofrimentos e necessidades dos irmãos e irmãs.
        Jesus o chama de “louco” - não por ter o suficiente para viver bem, nem por alegrar-se com este fato, mas por colocar o sentido da sua vida na acumulação de riquezas, achando que isso lhe traria a felicidade por si. A pergunta que Jesus faz: “E as coisas que você preparou, para quem vão ficar?” (v. 20), levanta a pergunta fundamental que todos nós temos que responder: qual é o sentido da nossa vida? O que é realmente importante? Sobre o que baseamos a nossa felicidade? Pois, tudo passará - e então seria tolice fundamentar a nossa felicidade sobre algo que necessariamente vai acabar. É um convite para que achemos o alicerce firme para a nossa caminhada, para a nossa felicidade. Podemos construir as nossas vidas sobre areia - movediça, sem firmeza; ou sobre a rocha - firme e imutável. Sobre coisas efêmeras, ou sobre Deus e o seu projeto de solidariedade, fraternidade e partilha.

        O homem da parábola terminou a sua vida na frustração, perdeu tudo, e a sua vida acabou sem sentido. E Jesus nos adverte: “Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico para Deus!” (v. 21). A escolha é nossa!

Tomaz Hughes SVD
                                                                                 e-mail: thughes@netpar.com.br

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