terça-feira, 30 de outubro de 2012

Teatro de Natal - O boi e o burro a caminho de Belém!

Gente amada, não adianta espernear, porque mais um ano está chegando ao seu final... Num piscar de olhos, entra Novembro e já é Natal... E como toda festa gera uma preparação, já é tempo de começar a ensaiar as peças teatrais de Natal. Tem já uns sete anos, fizemos essa peça na preparação com as crianças e achei bem legal, porque fugiu um pouquinho daquela coisa tradicional. Só que sumi com a peça e agora que minha companheira de guerra(Angela Rita) encontrou, vamos ensaiar para apresentar nesse ano. Fiz e recomendo! Vamos lá, escolha os atores e mãos à obra moçada!! Fazer a retratação do ambiente onde Jesus nasceu é muito importante, tanto é que São Francisco de Assis, com o intuito de evangelizar montou o primeiro presépio vivo em 1223. Sigamos os passos desse nosso espelho de Catequista. Beijo grande!
Imaculada

(Na foto Tais, minha filha amada aos seus 13 pra 14 anos e Danilo Andrade)

O BOI E O BURRO A CAMINHO DE BELÉM.

CENA 1
(Surgem o Boi e o Burro, ao ritmo da música(Berceuse) dançando, descontraídos) e examinando o ambiente. Ao terminar a música, eles se colocam de cada lado do palco)
BOI: Muuuuuu!!! (mugindo).
BURRO: Hiiiiiiiii!!! (relinchando).
BOI: Burro, ei Burro. Você está notando qualquer coisa hoje?
BURRO: Não estou notando nada, não, Boi!
BOI: Você é mesmo muito burro, hein amigo? Então não está vendo que tudo está meio mudado?
BURRO: (cheirando o ar). É verdade, amigo Boi. Tudo cheira diferente por estas bandas (cheirando com barulho).
BOI: (olhando o céu). E nunca o céu esteve tão estrelado, tão perto! (continua olhando o céu, e o Burro faz o mesmo).
BURRO: Não é que é verdade, amigo Boi, não é que é verdade? Sou mesmo muito burro... não tinha notado antes. Está tudo muito esquisito!(mudando de tom e olhando assustado para o Boi). Será que o mundo vai acabar, hem, Boi?
BOI: Talvez comece um outro mundo!
BURRO: (triste): E nós? Haverá pastagens para nós dois no outro mundo?
BOI: Sei não! (Enquanto isso, mais um susto...)
CENA 2:
(Entra a estrela de Belém, lentamente aos som de uma música natalina. Ela segura uma grande estrela de papelão nas mãos. O Boi e o Burro vão seguindo a estrela com os olhos)
BOI: Éhhhhh... esse lugar que era quieto, silencioso... agora...  (Ouve-se a flauta do Pastor. O Boi e o Burro olham espantados para o Pastor que toca a flauta de bambu, olhando para o céu).
PASTOR: (Já no palco parando de tocar olhando para o céu). Oh! (nesse momento a estrela de Belém fixa a estrela de papelão bem em cima do estábulo e sai de cena)
BURRO: (Seguindo o olhar do Pastor). Oh!
BOI: (idem).
PASTOR: A estrela parou.
BURRO: Parou.
BOI: Bem em cima.
OS DOIS: ... do nosso estábulo.
PASTOR: (Sempre fitando a estrela).  Grande como um girassol!
BURRO: Única no céu distante!
BOI:  Com o brilho de mil estrelas...
OS TRÊS: Nunca se viu outra igual!
BOI: (Aflito). Pastor, explica! Explica por que a estrela parou bem em cima do nosso estábulo!?
PASTOR: Mistério! Mistério, amigo Boi. Mistério que um pobre pastor não pode desvendar.
BOI: Nem eu...
BURRO: (Triste). Nem eu...
(O Pastor recomeça a tocar a flauta e sai dando uma volta por trás do estábulo, desaparecendo pela esquerda, ao fundo).
BOI: (Muito aflito, e ainda olhando para o céu). Burro! Ei burro!
BURRO: Que é boi?
BOI: (Aproximando-se bem do Burro, e falando quase em segredo). Estou muito desconfiado.
BURRO: De que Boi?
BOI: (Cheio de mistério). De que ele vai nascer aqui.
BURRO: (Escandalizado). Nem digo isto, Boi. Numa estrebaria tão suja. Tão pobre.
BOI: Então por que tudo isto? Por que a estrela parou bem em cima?...
BURRO: (Rápido). A estrela deve ter se enganado.
BOI: (Correndo o estábulo). E este cheiro tão doce por toda a parte...
BURRO: (Chegando para a cesta de capim encostada ao estábulo). Até o capim nosso de cada dia, cheira bem hoje...
(Corre  e diz à platéia, assustado). Onde já se viu isto? Pensar que ele ia nascer aqui... (Dá um salto, indo para o meio da cena, e indo nervosamente).
BURRO: (Assustado com a explosão do Boi, e segurando-o). Fica quieto, Boi. É bom irmos arrumando as coisas por aqui! (pega uma vassoura) Vamos fazer uma limpezinha, porque no caso de acontecer...
BOI: É mesmo (pega um pano e começa a limpar tudo, inclusive o rabo do burro e a própria cara) Vou buscar palha seca e fofa! (Eles saem e tornam a voltar segurando um pouco de palha. Cada um puxa a palha para seu lado e brigam)
BURRO: NÃO empurra, sou eu que arrumo!
BOI: Sou eu Burro, Sou eu! Saia Sou eu que quero arrumar a palhinha para o Menino!
CENA 3 – ANJOS
(Ouvem-se vários sininhos que vão aumentando de volume. Entram os anjinhos. Um, segurando uma vassoura prateada e bailando, vai varrendo a cena. O segundo carrega um jarro de água e o terceiro, uma bacia. Eles se encontram no meio do palco e o segundo anjo despeja água na bacia que é colocada perto da manjedoura. Dois outros, pegam as palhas espalhadas pelo Boi e pelo Burro, arrumando-as na manjedoura. O primeiro e o segundo anjos trazem uma toalhinha branca e colocam-na sobre as palhas. O terceiro anjo entra com um turíbulo, incensando todo o ambiente, inclusive o Boi e o Burro. Os anjinhos entram e saem num movimento contínuo e na ponta dos pés, como se dançassem. Durante toda a cena, os animais ficam estarrecidos, parados, um de cada lado, do palco. Quando o último anjinho sai, cessam os sininhos e o boi e o burro aproximam-se do estábulo)
CENA 4
( O boi e o burro observam a transformação do ambiente)
BURRO: Eles vieram arrumar...
BOI: Tudo está tão limpinho...
BURRO: (Desconsolado, dirige-se para a platéia e encosta a cabeça em algum lugar, como se estivesse chorando)
BOI: O que é burro?
BURRO: E nós, pobres bichos, que queríamos fazer este trabalho...
BOI: (triste): Quanta pretensão!
BURRO: Não percebemos que isto era trabalho para anjos e não para um boi babento...
BOI: Nem para um burro sujo
BURRO: (conciliador) Deixa pra lá, Boi! Não vamos brigar hoje. (aproximando-se do estábulo) Tudo está pronto!
BOI: Só falta acontecer... E só nós dois aqui...
BURRO: Um burro!
BOI: um boi!
OS DOIS: Pra tamanho acontecimento!
CENA 05MARIA E JOSÉ
(Ao som de uma musica, entram  José e Maria, este levando Jesus debaixo do manto invisível, enquanto caminham até o palco – Música baixa, enquanto o Burro e o Boi falam).
BOI: Oh!
BURRO: Oh!
BOI: (Ternamente, mas solene). Lá vem Maria lentamente carregando o mistério.
BURRO: Parece leve como a brisa.
BOI: Parece uma gota no capim da manhã.
BURRO: Lá vem José.
(Quando José e Maria chegam bem perto do estábulo, aumenta-se o volume da música. Quando entram no estábulo, cessa a música e sinhôs começam a soar. Os anjinhos chegam na ponta dos pés e, sempre bailando, fazem um círculo em torno de Maria. Eles escondem Maria que, de costas para o público, coloca o Menino Jesus na Manjedoura. Os anjinhos continuam a dançar, enquanto Maria e José se colocam na posição clássica do presépio. Ela ajoelhada e ele, no outro lado, de pé, apoiado no cajado. Os anjinhos vão se afastando e saem, sempre dançando. Um foco de luz cai sobre o Menino. Música durante toda a cena. O Boi e o Burro ficam num canto, só assistindo)
CENA 07
(O boi e o Burro aproximam-se na ponta dos pés)
BOI: Que maravilha!
BURRO: (puxando o Boi) Não se aproxime tanto! Não é bom que ele veja logo nossas caras feias...
BOI: Tem razão! Ele pode se assustar! (Maria sorri para eles)
BURRO: (Emocionado): A mãe dele está sorrindo!
BOI: Pra quem? Para nós dois?
BURRO: Éééé´! Só pode ser pra nós dois?! (Eles começam a pular de alegria. Maria sorri de novo e eles vão se aproximando com cuidado)
BOI: Acho que ele ta com frio??
BURRO:  Pois então, aqueça ele com seu bafo quente neh Boi!
BOI: (experimentando o bafo na mão) Boa idéia, Burro. Até que você ficou menos burro!
BURRO: E eu, com meu rabo, espanto as moscas
(Eles dirigem-se para a platéia e diz)
BOI: Nunca imaginei ser mais do que um boi!
BURRO: E eu então? Tão burro... Tão burro... Nunca imaginei... Nós dois, um boi e um burro, ligados para sempre ao mistério.
CENA 08
(O boi e o burro afastam-se lentamente até se colocarem nas posições clássicas do presépio, cada um de um lado, atrás do Menino Jesus. Ao som de NOITE FELIZ, pastores e pastoras, entram pelo meio do teatro, depois, os reis magos com seus presentes. Todos se ajoelham para adorar o Menino. O público pode ser orientado com antecedência para também trazer suas ofertas, que serão colocadas num cesto à frente do presépio vivo e, mais tarde doadas a  irmãos carentes.)

(Essa peça é uma adaptação da obra e Maria clara Machado. O texto original encontra-se no livro Teatro I da coleção “teatro” – editora Agir)
Personagens: Boi, Burro, estrela, Cinco anjinhos, Maria, José ,Três Reis Magos, Pastor.

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Veja um pouco da História dessa peça...

“O Boi e o Burro a Caminho de Belém”, texto de Maria Clara Machado.

Escrita em 1953, a peça é a estreia da autora escrevendo para o público infantil. O auto de natal, pensado, a princípio, para o teatro de bonecos, acabou adaptado para ser interpretado por atores. As melodias natalinas, sugeridas pela própria autora, marcam seu interesse em dar à música um papel de destaque em suas peças.

Montagem da peça em 1953 (Foto: Divulgação)

“O Boi e o Burro a Caminho de Belém” narra a história do nascimento de Jesus Cristo pelo ponto de vista do Boi e do Burro, duas personagens que estão presentes no tradicional presépio. Empregando uma linguagem simples, a dramaturga supõe como teria sido a separação do estábulo e como o nascimento do Filho de Deus fez com que o mundo se preparasse para recebê-lo.

Personagens reais e fictícios, como pastoras, reis magos, rainhas magas, anjos, o povo e a Estrela se misturam à frente dos dois animais, até que, com a chegada de Maria, José e do menino Jesus, a montagem de um presépio vivo se completa. 

A peça foi encenada pela primeira vez, em 1953, pela própria Maria Clara – com O Tablado, grupo fundado por ela em 1951 –, no Rio de Janeiro. Desse ano em diante, o espetáculo seria apresentado em 1954, 1957, 1959, sob a sua direção e basicamente com a mesma equipe.

Uma quinta versão da montagem foi realizada, então, em 1971, apresentada cerca de 20 vezes, para um público total de mais de 3.000 espectadores. O êxito se repetiria durante muitos anos: 1973, 1974, 1986, 1991 e 1992, sempre com direção de Maria Clara.

Em 2001, ano do falecimento da autora, “O Boi e o Burro no Caminho de Belém” foi encenado por Bernardo Jablonski, que já participava das montagens desde 1971, no elenco ou como assistente de produção e de direção.

Nestes últimos 10 anos, a tradição de montar este espetáculo prosseguiu e continua cada vez mais forte.

Ao que parece, o Natal no País, ou pelo menos no que diz respeito ao teatro brasileiro, não seria o mesmo sem essa peça, que já está enraizada na cultural teatral nacional e deve continuar espalhando, por um bom tempo, o espírito dessa época tão singular.
Texto: Felipe Del

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