terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Sagrada Família, Jesus Maria e José – A

Consideremos que a Sagrada Família não foi isenta de muitos dos dramas que qualquer família enfrenta. Mais do que simplesmente idealizar a vida de Jesus, Maria e José, a festa de hoje nos leva a fazer uma reflexão sincera sobre a família.
A primeira leitura nos ensina a viver o respeito aos pais: “Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração quotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida” (Eclo 3,4-5.14-15). Hoje vemos o egoísmo invadir as relações. Os mais velhos, bem considerados por sua sabedoria nas sociedades orientais, são vistos no Ocidente, em muitos casos, como pesos, como pedras que precisam ser jogadas fora. A Palavra de Deus exorta aos filhos, para que respeitem e cuidem de seus pais, independente de qualquer coisa.
A segunda leitura nos fala de “esposas solícitas” e de maridos convidados a “amar suas esposas” (cf. Cl 3,18-19). As relações homem-mulher não podem ser baseadas na submissão, quando um dos cônjuges sofre calado as arbitrariedades do parceiro. Também se mostra ultrapassado o conceito de complementariedade. Devem ser construídas na reciprocidade: diálogo e compreensão da individualidade de cada um; contribuição mútua para a felicidade de ambos.
O Evangelho nos fala da conhecida fuga no Egito. Os pais de Jesus, que já haviam enfrentado tantos dramas para ter o seu filho, devem agora abandonar às pressas a cidade de Belém e fugir do rei Herodes. Este fato revela que o projeto de Deus se realiza na luta contra o mal: o mal sempre é uma presença marcante, e nós sofreremos as suas consequências, como a família do Menino Deus. Certamente, em nossa vida há muitos casos em que o mal parece reinar. Então resta-nos confiar, não sem a luta, tendo a certeza de que Deus conduz a história mesmo diante dos limites do pecado que leva ao ódio e à morte.

Pe Roberto Nentwig

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